29 Jun 2020

Colaboração CMS atinge marca de 1000 artigos científicos

Em 12 anos, a colaboração CMS do CERN atingiu a impressionante marca de 1000 artigos científicas submetidos para publicação, dentre as quais se destaca a descoberta do bóson de Higgs em 2012, que levou ao prêmio Nobel de Física do ano seguinte

 

A colaboração Compact Muon Solenoid (CMS) da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) submeteu na última sexta-feira (19/06) seu milésimo artigo científico para publicação. Desta forma, o CMS se tornou o primeiro experimento na história da Física de Altas Energias a atingir esse impressionante número. O São Paulo Research and Analysis Center (SPRACE), que participa da colaboração CMS desde o seu início, possui membros citados em todos os artigos da colaboração e liderou vários desses trabalhos de pesquisa. De acordo com Thiago Tomei, pesquisador do SPRACE, a marca é simbólica e representa a mudança de paradigma de como a ciência é feita atualmente.

“Alguns ramos da ciência não são mais feitos por uma única pessoa em um laboratório”, disse Tomei. “Hoje em dia, a ciência tem a tendência de ser realizada por grandes colaborações, o que resulta em uma grande quantidade de artigos publicados que impactam significativa no avanço do conhecimento científico”.

O CMS, que estuda o Modelo Padrão e busca por uma nova física por meio de colisões de partículas no Large Hadron Collider (LHC) é exemplo dessas colaborações. O CMS atualmente envolve mais de 5 mil cientistas, entre físicos de partículas, estudantes de doutorado, engenheiros e técnicos provenientes de mais de 208 institutos de pesquisa de 47 países. A colaboração publicou seu primeiro artigo científico em 2008, explicando o funcionamento do seu futuro detector, e desde então fez importantes contribuições para o avanço do conhecimento em Física. No ano seguinte, foram publicados uma série de artigos que descreviam as fases de pré-operação dos equipamentos por meio de raios cósmicos. As primeiras publicações baseadas em dados das colisões feitas no LHC foram feitas logo depois que o LHC começou a funcionar, no final de 2009. Desde então, foram publicados uma média próxima a 100 artigos científicos por ano.

Entre os principais artigos publicados pelo CMS, destaca-se aquele que relatou a primeira observação do bóson de Higgs, quase que exatamente 8 anos atrás, em 4 de julho de 2012. A partícula havia sido prevista na década de 1960, mas nunca havia sido observada experimentalmente. Depois disso, o CMS publicou importantes artigos sobre as características do bóson, como suas formas de decaimento, que mostraram que a partícula se comportava conforme era esperado pela teoria.

Além das publicações do CMS terem atingido um número sem precedentes, a diversidade dos tópicos abordados por elas também não tem paralelo e passa por diversos tópicos de Física (Modelo Padrão, Física Exótica, bóson de Higgs, Íons Pesados, Física Frontal, etc.), instrumentação científica e computação, entre outras áreas. Para avançar o conhecimento, são necessários não apenas detectores de partículas com capacidade para observar milhões de colisões que acontecem em frações de segundos, mas também poder computacional para processar os dados coletados. Entre os mil artigos do CMS, destaca-se também a publicação que relata o desenvolvimento do software de reconstrução das partículas geradas pelas colisões utilizado pelos pesquisadores para analisar os dados coletados pelo experimento.

Ainda mais importante do que a quantidade de artigos publicados é o impacto das publicações do CMS. Aproximadamente um terço delas são publicadas em periódicos científicos como a Physical Review Letters ou Physics Letters B, onde os padrões de qualidade são muito rigorosos.

Atualmente o CMS se prepara para o High Luminosity LHC (HL-LHC), nova fase de operações do acelerador de partículas que deverá entrar em operação em 2027. Nesta nova fase, o LHC multiplicará por 10 a quantidade de dados coletada, o que deverá aumentar ainda mais o alcance científico do acelerador e dará origem a diversos resultados relevantes.

“Com esses dados, esperamos desvendar com grande precisão como é a Física na escala do Teraelétron-Volt (TeV)”, conta Tomei. “Continuaremos a estudar todos os detalhes do Modelo Padrão, incluindo decaimentos raros do bóson de Higgs, além de procurarmos por indícios de uma nova física, por exemplo através da busca por matéria escura”.

Veja a lista completa dos mil artigos aqui.

Leave a Reply